sábado, 29 de outubro de 2011

SERMÃO: "O Sofrimento nos aproxima de Deus." (Modelo de Semão apresentado à estudantes de Retórica/Homilética"

Sermão pregado aos alunos do Curso de Oratória e Retórica – I. Apresentação do texto escrito ao Professor desta disciplina, Dr. Edson Pereira Lopes, Escola Superior de Teologia, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo; para fins de avaliação.


Pastor Alexandre da Silva Chaves


Introdução:

A - Saudação

Boa noite a todos os presentes, boa noite Professor, Dr. Edson Pereira Lopes; quero agradecer ao meu Deus acima de tudo e de todos por estar aqui entre vocês. Muito obrigado Professor por proporcionar, juntamente com os meus colegas, a oportunidade de crescermos em nossos ministérios. Obrigado a todos os colegas pelo incentivo de estarem todos reunidos nesta sala de aula. Obrigado especialmente àqueles que oraram em meu favor, pois embora este trabalho seja um exercício para nosso aperfeiçoamento e avaliação como alunos, ele não deixa de ser espiritual e para o nosso Deus.

B – Texto
II Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 11: versículos 16-33.

Gostaria de meditar com todos os presentes nesta noite, senhores e senhoras sobre um tema dileto de Deus para o seu povo, no entanto muito desprezado nos dias atuais:

C - Tema:
O Sofrimento como propósito de nos aproximarmos de Deus.

D – Proposição
Santo Agostinho afirma, quando da morte de sua mãe, Santa Mônica: “Fechei os olhos e apoderou-se-me da alma uma tristeza imensa, que se desfazia em torrentes de lágrimas. (...) Parecia-nos que não ficava bem celebrar-lhe os funerais com pranto. A morte de minha mãe, pelo contrário, não foi infeliz nem total. (...) a minha dor sucitava-me uma nova dor, e afligia-me com uma dupla tristeza. Foi conduzido o cadáver à sepultura. Fui e voltei sem derramar lágrimas. (...) Mas todo o dia senti, no meu íntimo, uma tristeza oprimente.” (Santo Agostinho, 1999, Livro IX, p. 249-250). (Grifo meu).

Não há ninguém que possa afirmar que sofrer seja tão bom. E que o propósito do sofrimento seja o próprio sofrimento em si mesmo. O próprio apóstolo Paulo afirmou aos Romanos cap. 8: 18 que: “para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”; seguindo na mesma linha de raciocínio de conforto para o sofrimento, ele ainda afirma no verso 28, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. (grifo meu).
(Transição): Caso não houvesse um propósito maior do que a dor de sofrer, não haveria quem psicologicamente, fisicamente ou mesmo espiritualmente suportasse o sofrimento. Creio que o apóstolo Paulo, em sua defesa em sua segunda carta aos coríntios, nos revela três importantes propósitos, como razões, de Deus imputar o sofrimento para as nossas vidas: São estes os propósitos apresentados por Paulo:

E - Estrutura
I – O propósito de sermos reconhecidos como escolhidos de Deus. (vv. 16-22).

1. Em Jó, observamos Deus aprovando a escolha do seu servo no meio da provação: Jó. 1: 9-12, 20-22.

2. Em Neemias observamos Deus utilizando as lágrimas do coopero querido, para sensibilizar o Rei a libertar o seu povo: Ne. 1: 3-4; 2. 1-2.

Transição: Sl. 86:7 – “No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes”.
II – O propósito de nos reconhecermos no exercício do ministério de Deus. (vv. 23-27).

1. Elias foi reconhecido na qualidade de profeta e homem de Deus: I Rs. 17.1-7, 8-14

2. A morte do apóstolo Tiago e a libertação do apóstolo Pedro da prisão: At. 12: 4-8

Transição: Tomás de Kempis, místico medieval disse certa vez: “Bom é passarmos algumas vezes por aflições e contrariedades, porque freqüentemente fazem o homem refletir, lembrando-lhe que vive no desterro e, portanto, não deve pôr sua esperança em coisa alguma do mundo(...) Estando o homem atribulado ou tentado(...), sente logo melhor a necessidade que tem de Deus”.
III – O propósito de nos ensinar a perseverarmos no sofrimento como obreiros de sua causa. (vv. 28-33).

1. Em Moisés, Deus revelou-se na sua fraqueza: Ex. 3: 10-12; 14: 12-14. Moisés afirmava que não sabia e que não era capaz de realizar o que Deus queria que ele realizasse, mas Deus queria mostrar a Moisés, que suas limitações provariam a soberania de Deus e lhe aproximaria de Deus. (Oração, monte e comunhão com Deus).

2. Em Paulo no espinho na sua carne, o qual lhe causava profundas angústias: II Cor. 12: 7-10. Contudo Deus havia revelado através de Paulo, que o vaso era de barro, e o mais importante era a excelência contida no vaso, II Cor 4: 7.

Transição: Gosto da maneira como Max Lucado, em seu livro Simplesmente como Jesus, retrata a noite em que Jesus foi traído no Getsêmani:

“Na noite em que antecedeu a sua morte, um autêntico depósito de aflição despencou sobre Jesus. Algum lugar entre o período em que oravam no Getsêmani e o local onde Jesus passou pela prova de escárnio é onde a cena mais escura da história do drama humano deve ter se passado. Embora o episódio completo não deva ter durado mais do que cinco minutos, o evento teve maldade suficiente para encher milhares de depósitos de lixo. Exceto Cristo, nenhuma das pessoas presentes teve uma atitude boa sequer. Se buscar na cena algumas gramas de coragem ou um pingo de caráter, não encontrará. O que encontrará é o produto do acúmulo do engano e da traição. Mesmo em tudo isso, Jesus enxergou uma razão para ter esperança. E sob o mesmo ponto de vista dEle, encontramos um exemplo para seguir”. Em Mt. 26: 46-56, Jesus encontrou motivos para dizer aos seus discípulos, mesmo sabendo que seria abandonado e traído: “Levantai-vos e partamos(...)”.

F- Conclusão

Jesus encontrava ouro no lixo, como diria Max Lucado, Ele seria capaz de encontrar coisas boas dentro do Getsêmani. E nós? Será que temos sido capazes de seguir os seus passos em nossas aflições? Será que realmente temos deixado aberto os nossos corações e mentes, para aceitarmos as aflições do tempo presente?

Observemos o texto de Rm. 8: 33-37 para meditarmos como conclusão.

Tudo posso naquele que me fortalece (Fp. 4:13).

"Tudo posso naquele que me fortalece", ao contrário da tônica triunfalista empregada por diversos setores evangélicos, representa na verdade uma das maiores expressões de contentamento do Apóstolo Paulo.
Antes de Paulo ancorar esta expressão em sua carta, ele afirma ter aprendido o sofrimento, e tal expressão "posso todas as coisas", significa um contínuo aprendizado que o apóstolo alcançou contido de uma capacidade de suportar o sofrimento, tudo isto pela graça do Senhor Jesus Cristo em sua vida.
Talvez tenhamos que aprender a nos contentar um pouco mais com o que temos no mundo em que vivemos, relendo palavras como estas do apóstolo Paulo.

Alexandre da Silva Chaves

Alexandre da Silva Chaves