segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quando o povo não é mais pastoreado, o rebanho é levado ao cativeiro!!

Lembrem-se amigos, que um dos momentos mais difíceis de Israel, foi quando eles estavam exatamente retornando pra casa, após anos de aprendizado por causa da rebeldia e desobediência que estavam arraigadas em seus corações. Lhes consumia olhar para as ruinas que ficaram as cidades e as casa que lhes pertenciam, somente por causa de suas arrogâncias, vaidades e desobediências.



O que estava lhes ocorrendo? Literalmente voltavam pra casa; a casa que Deus havia lhes dado, a casa que  o próprio Deus havia destruído. Voltavam na verdade para  as suas memórias, faziam introspecções, lembravam-se apenas dos bons momentos que lhes restavam. O resto era somente ruína.
O que sobreu de um Israel que viveu os dias que antecederam o exílio, um Israel que já vinha sendo mal pastoreado pelos seus líderes.

Antes do cativeiro, o seu povo não mais utilizava o templo como a casa de Deus (Javé), mas como a casa do deus que cada um construía para si mesmo.  O "deus" dos filhos de Israel era a imagem e semelhança do próprio indivíduo que o construía. Era uma espécie de espelho, imagem de si mesmo. Puro narcisismo, fonte dos próprios interesses.   Um deus de acordo com a conduta que cada um queria ter e gozar.

As pessoas passaram a agir e a justificar tais ações no templo, por meio de sacrifícios que validavam as suas condutas, não menos os sacerdotes, os quais vendidos, faziam de tudo para agradar aqueles dentre o povo que pagavam mais, criando um sistema corrupto e injusto, aonde receberia mais perdão, vida e bênção os que poderiam sustentar melhor a conduta do sacerdote.

Não era mais a palavra de Deus quem determinava o sentido da vida de cada um, mas os interesses individuais do povo e do sacerdócio. Todos se corrompiam. Isto dificultou bastante as coisas para o povo de Deus. Coisas que acontecem muito semelhante aos dias atuais.

O resultado de um povo mal pastoreado é o sofrimento inglória do rebanho

O povo foi removido de sua terra, perdeu momentaneamente a sua herança, escravizados pelos Caldeus-Babilônios, reescravizado pelos líderes do Império Médio-Persa, e somente depois de cerca de 70 anos passados de aprendizados voltaram para os seus domínios.

No caminho uma verdadeira demonstração de arrependimento no que cantavam (leiam dos Salmos 120 à 134). Neste momento, observaremos apenas as palavras do povo no cântico 126, o que já nos demonstra um verdadeiro caminho de retorno e reconhecimento da Soberania de Deus, além de a uma profunda revisão de uma vida de humildade e  de dependência ao Criador.

1-Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.
2-Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes.
3-Grandes coisas fez o Senhor por nós, e, por isso, estamos alegres.
4-Faze-nos regressar outra vez do cativeiro, Senhor, como as correntes do Sul.
5-Os que semeiam com lágrimas segarão com alegria.
6-Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.

Meditemos nestas palavras, e que o Senhor nos livre, de nestes dias, continuarmos a história ruim que Israel também começou, que por conta de interesses particulares e obtusos ao de Deus, o povo e os sacerdotes negligenciaram o verdadeiro sentido de servir e de adorar ao Senhor. Tudo isto em troca de um suposto sucesso imediato em suas histórias; coisas semelhantes ao que a Igreja vem fazendo nestes últimos dias.

Foram diversos acordos com vizinhos, reis pagãos e povos iníquos, além de acordos internos que favoreceram um determinada elite, contrariando o interesse geral da congregação, levando o povo a obstinação, ao desespero ao conflito, e por fim ao exílio. Tal atitude custou-lhes 70 anos de cativeiro.

A Igreja tem se tornado, e principalmente seus sacerdotes, como uma prostituta, que acena sempre para quem paga melhor. A verdadeira igreja de Jesus Cristo está sofrendo no meio de tudo isto.

Hoje, penso,  que a Igreja está em situação semelhante a de Israel. Flerta com os deuses da teologia da prosperidade, servi a um triunfalismo anti-cristão. Se preocupa em construir templos palácios como o de Salomão. Que mais causou prejuízo e empobrecimento da nação e do povo, do que trouxe grandes benefícios. Tanto é que o próprio dízimo perdeu sua principal dimensão que era a dimensão social. Ajudar o pobre, a viúva, necessitado, o órfão, o estrangeiro. Além de ajudar no sustento do sacerdote e do templo.

A Igreja hoje, negocia os valores do Reino por micharias, principalmente em tempos como o recente de eleições nacionais, piora nas eleições municipais; onde as adesões ou criticas a candidatos, atendem uma lógica da maior vantagem aos nossos sacerdotes, conduzindo cada vez mais o rebanho(membros)  à mentira. Não existindo uma proposta de libertação e conscíência política do rebanho, antes é de pura alienação.

Hoje alguns pastores são capazes de criticar as suas ovelhas (membro) porque não fizeram opção de voto em seus candidatos chamados de "crentes". Se porventura algum membro da comunidade de crentes, por consciência política individual, optar por outro candidato de fóra dos "arraiais" ainda mais se o candidato não vier a ser um também "crente", ele sofrerá possivelmente críticas e preconceito.

Se um membro tiver consciência política e também desejar ser um candidato, mesmo s a constituição em seu artigo 5°, lhe garanta os seus direitos individuais, contraria os interesses de supostas comissões políticas da Igreja, que decidem arbitrariamente o que é "melhor" para o rebanho. Um retorno ao período medieval, do coronelismo, só que agora é medieval e coronelismo evangélico.

Vivemos tempos em que estamos sendo novamente conduzidos à um novo cativeiro.

Contudo, não são apenas os nossos líderes que conduzem o nosso povo ao cativeiro, o próprio povo hoje, como nos dias do profeta Jeremias, tampa os ouvidos para não ouvir a voz verdadeiramente profética de Deus à sua Igreja.
Proporcionalmente o rebanho é cada vez mais arrastado ao cativeiro, semelhante a Israel. São mentiras que vão sendo contados em cima de púlpitos, em corredores de igrejas, em mídias das mais diversas, em panfletos e em programções Institucionais. Tudo isto, alienando ainda mais o rebanho da verdade, além de conduzi-los à labirintos de mentiras e falsidades, confundindo ideologias pollíticas com interesses particulares.

Não é a ideologia comunista, socialista, liberal ou capitalista que está em voga, colocando em risco as nossas vidas. São os programas institucionais, o que é mais importante. Hoje, são o que os nossos sacerdotes (em parte) estão preocupados, que ´o importante. O que ilustra o ue estou dizendo é puro pragmatismo, veja o seguinte slogan de alguns líderes: " O que eu ganho com isto?". Não se importa mais  o que o povo, seja ele cristão ou não, está ganhando com isto (determinada decisão ou atitude). 

Muitas das nossas atitudes custarão anos de cativeiro à Igreja.

A igreja e seus sacerdotes, os que a representam (maioria), em alguns momentos, não têm se tornado instrumentos eficazes na luta contra os pecados estruturais que são impostos por nossos governantes na sociedade, muito pelo contrário, tê se assemelhado ao sistema. Um exemplo do que estou argumentando é que quando alguns políticos pagam, obtém de nossos sacerdotes o aceno favoravel às idéias mais absurdas que existem e aos pecados mais descarados que já vimos na sociedade.

Percebam que muitos pastores, que pretensamente defenderam a igreja nas campanhas políticas, saíram dela (campanha), com os bolsos bem mais cheio. Muitos negociaram carros em campanhas, pagaram seus carnês de prestações. Lucraram de dois ou mais candidatos, e enquanto numa igreja anunciavam que trabalhavam para uma determinada pessoa, e que esta pessoa como candidato era uma bênção; em outro local defendia e pregava o voto a um outro candidato. No final, ganhavam valores dos dois ou mais que apoiaram, sem que um ou outro soubesse disto.
Isto é um modo cristão de conduzir o rebanho? Com certeza isto não é um bom exemplo que um pastor dará ao seu rebanho.

Façam um pouquinho mais de esforço, para perceber que não está se tratando de Deus querer algumas coisas, mas muito mais de "meus" interesses versus o de alguém. Que Deus tenha misericórdia de mim. Pois sempre peço ousadia a Deus para poder falar e não temer.

Que alguns amigos pastores, ainda agucem o sentido bíblico de ser cristão em vossas mentes, que possam olhar para tudo isto e enxergar a parte que lhes competem em renúnciar ao pecado que consome as nossas Igrejas.

Denúnciem isto, gritem, preguem, mas se não tiverem oportunidade, ensinem os vossos filhos, esposas, maridos, amigos, e vivam de modo diferente.

Aprendi com o Pastor de origem alemã, Dietrich Bonhoeffer, que a melhor maneira de falar alguma coisa à uma igreja, cuja liderança está se corrompendo é se submetendo a palavra de Deus e resistindo a tentação de deixar de se igual a Cristo, por causa dos interesses institucionais. Ainda que isto nos custe a própria vida, cargos, amigos etc.

Que Deus tenha misericórdia de cada um de nós.

Tudo posso naquele que me fortalece (Fp. 4:13).

"Tudo posso naquele que me fortalece", ao contrário da tônica triunfalista empregada por diversos setores evangélicos, representa na verdade uma das maiores expressões de contentamento do Apóstolo Paulo.
Antes de Paulo ancorar esta expressão em sua carta, ele afirma ter aprendido o sofrimento, e tal expressão "posso todas as coisas", significa um contínuo aprendizado que o apóstolo alcançou contido de uma capacidade de suportar o sofrimento, tudo isto pela graça do Senhor Jesus Cristo em sua vida.
Talvez tenhamos que aprender a nos contentar um pouco mais com o que temos no mundo em que vivemos, relendo palavras como estas do apóstolo Paulo.

Alexandre da Silva Chaves

Alexandre da Silva Chaves