domingo, 9 de janeiro de 2011

Novas tendências no Cristianismo! Novas tendências nas Assembléias de Deus!



O instituto Barna Group publicou há poucos dias o resumo das principais pesquisas realizadas pela instituição nos Estados Unidos durante o ano de 2010.

Estive pensando, ("pensar"-coisa que custa caro na atual conjuntura da Igreja), se tais tendências e comportamentos não estão afetando da mesma forma a Igreja brasileira, principalmente em seu segmento pentecostal. Ainda mais específico, as Igrejas Assembléias de Deus as quais eu conheço (dezenas acredito).

Qual não foi o resultado de minha reflexão, se não estamos tão igual a Igreja Norte-Americana, estamos bem pior!!!

A tendência n° 1

1. A Igreja Cristã está se tornando menos alfabetizada teologicamente


Tem se tornado coisa natural igrejas evangélicas, principalmente o que observei nestes últimos anos nas  Assembléias de Deus. Aqueles que não leêm a Bíblia, ou a estudam, passam a justificar a própria ignorância ao conteúdo das Escrituras, sob uma suposta "Inspiração Divina", que independe das Escrituras.

Tal fato e tendência contraria o principio reformado que muito custou ao nosso irmão Martinho Lutero, a  SOLA SCRIPTURA (SOMENTE A ESCRITURA), há tempo que esta premissa vem sendo abandonada pelos pentecostais, e para justificar tal abandono, elege-se contraditoriamente um "aliado", o "Espirito Santo", afirmando que basta-se somente a dependência Dele.

Isso não é verdade, nem o pode ser, pois foi o Espírito Santo quem Inspirou aos Profetas, Juízes, Reis, Sacerdotes, Escribas, Apóstolos e Discípulos que compuseram o Cânon, escreveram e trabalharam para preservar as Escrituras.

Como pode Ele, o Espírito, trabalhar contra o crescimento de um crente no conhecimento das Escrituras que Ele Inspirou???

A Tendência n°2

2. Os cristãos estão se tornando mais isolados dos não-cristãos


Esta é uma questão quase incontestável nas igrejas pentecostais, os jovens que comigo conviveram a cerca de 15 ano atrás, tinham prazer em testemunhar e participar da sociedade com o intuito de evangelizar outras pessoas.

Há poucos dias ouvi dos lábios de um Jovem Músico de uma Igreja Assembléia de Deus, que ele não iria evangelizar com nosso grupo porque sentiria vergonha caso fosse identificado por seus amigos tocando seu instrumento no meio dos crentes.

Imagina se ele tem coragem de convidar seus amigos para virem à Igreja?



Tendência n°3

3. Um número crescente de pessoas estão menos interessadas em princípios espirituais e desejosos de aprender mais soluções pragmáticas para a vida.


Essa é uma das questões mais debatidas no meio Assembleiano. Espiritualidade, contemplação mística (oração, jejum etc.), não combinam mais com a atualidade, que exige nas respostas que precisamos de Deus de rapidez, conveniência e pouca burocracia. O que os crentes estão fazendo, os meios que eles usam atualmente, para conseguirem supostas "bênçãos", "riquezas" e "prosperidades", confrontam com os príncipios Bíblicos, com os princípios da reforma, pensamento, confissões, bem como com as respeitadas 95 teses que Martinho Lutero publicou em Winttemberg etc.

O discurso Pentecostal Assembleiano da simplicidade, de que o Espírito Santo produz na vida do crente batizado Nele, uma unção para causar transformação nos outros,  tornou-se ingrediente ultrapassado em muitas mensagens, ou mesmo os novos pregadores sequer já ouviram falar dessa mensagem, já os mais velhos pregadores, talvez se esqueceram do que aprenderam.

Tudo isso que o pentecostalismo clássico ensinou, ficou para trás, dentro do século XX,  inclusive este é um século que é página virada na história da Igreja, é somente tema para ofícios cerimoniais, já passou. Hoje, não importa quais, mas os meios é que justificam muitos fins!!! Ou um fim (de alguém), justifica os muitos meios empregados!

Tendência n°4

4. Entre os cristãos, o interesse em participar da ação da comunidade é cada vez maior


Tenho presenciado isto bem de perto, inclusive fui vítima desse processo. Pastoreei uma igreja em que desenvolvi um projeto de ajuda à uma comunidade carente do bairro, após me despedir daquela Igreja, os irmãos não deram continuidade, não conseguiram convencer ao Pastor que me substituiu, bem como a outro Pastor que se seguiu após aquele.

Faltou-lhes uma compreensão mais clara do sentido bíblico da caridade cristã, fraternidade, serviço, comunhão e amor. Sei que devo ter falhado em não ter enfatizado bem esta ação à luz da palavra de Deus, mas me pergunto se  mesmo assim teriam tido coragem de enfrentar uma oposição a atual verticalidade da hierarquia da igreja, com o único e simples propósito de sustentar uma ação cristã baseada em princípios bíblicos.

Às vezes os cristãos entram em um projeto humanitário por um "oba, oba", que quer dizer uma "onda" do momento. Depois que passa a "onda" ninguém se preocupa mais as questões que anteriormente foram tratadas e nem mais dão conta de explicar porque fizeram aquela ação. Principalmente quando não se tem nada para ganhar pessoalmente e individualmente, apenas para gastar com os outros, sofrer pelos outros, trabalhar mais pelos outros etc. Esta também é uma razão, que o pensamento geral da sociedade impõe sobre uma parcela grande da Igreja. A falta de decoro com o próximo.



Tendência n°5

5. A insistência pós-moderna de tolerância é de conquistar a Igreja Cristã


Este ponto também tem sido causa de decadência da Igreja Pentecostal , principalmente das Assembleias de Deus. Isto se chama tolerar o pecado. Se o crente acredita numa verdade, terá que sustentá-la, ainda que isto lhe custe a vida, reputação, amizades etc.

O flerte (namoro) com o pecado é comprovado bíblicamente, como produtor de desgraça, da queda, da destruição da imagem de Deus na humanidade (Gn. 3.).

Se a Igreja e os crentes que dela participam, continuarem a fazer concessões de seus princípios sob as desculpas de suposta tolerância, daqui mais alguns anos não fará diferença frequentar a igreja ou uma sociedade, associação, ou clube qualquer que seja.

Tendência n°6

6. A influência do cristianismo na cultura e na vida individual é praticamente invisível


Este ponto causa até "arrepios" e "assombros". Como afirmava o teólogo Alemão Rudolf Otto, arrepio e assombro eram comportamentos típicos daqueles que enxergavam o sagrado. Contudo a tese de Otto hoje, seria certamente revista  este respeito, pois é o excesso de religião que causa arrepio diante da sociedade, e ficamos sem respostas a dar para as perguntas existenciais, morais entre outras, levantadas pela mesma sociedade.
Crescemos quantitativamente no Brasil, como nenhuma outra instituição do mundo capitalisma cresce. Evangélicos no Brasil crescem em ritmo maior que o da Economia Chinesa.

O número de fiéis que acrescem à Igreja, inveja aos mais argutos empresários. Sem contar nas milhares de possibilidades de negócios que economia torna os evangélicos. Além desta questão dos negócios, os estudiosos do Marketing e da Administração estudam uma teoria de conhecimento entre os líderes e Igrejas, com intuito de apreender e aprender neles (as) e com eles (as), a fim de racionalizarem (explicarem) a razão do  tamanho sucesso e crescimento de Igrejas.

Contudo, por que a criminalidade não diminui, as fofocas, as mentiras, as invejas, as injustiças, as corrupções? 
O Sal somente serve para dar sabor, se for ísipdo (sem sabor) deve ser lançado fóra.

Os números de crentes mesmo que aumente a cada dia, não consegue derrubar os números da iniquídade. Por exemplo os evangélicos se multiplicam, mas a corrupção não diminui na sociedade, o índice de homicídio tão pouco cai, os novos e velhos crentes pouco fazem para diminuir ou minar as estruturas sociais pecaminosas que lançam as pessoas na miséria. Mesmo que a cada dia aumente o número de parlamentares evangélicos, a corrupção nos parlamentos não retrocede.

Trabalhei algum tempo com moradores de rua e posso afirmar com certeza, tenho visto pouco dos cristãos em ajudar essas pessoas. Moradores de rua têm vidas e famílias destruídas; a maioria dessas pessoas têm casa e família em algum lugar, mas não conseguem olhar para o passado, superá-lo e voltar a viver junto as suas famílias.

Falta-lhes auto-estima e um programa que os ajude a resgatar esta auto-estima. Não é pôr apenas dinheiro, mas pessoas treinadas na labuta diária, nas lutas da vida, e que sejam capazes de doar os ouvídos pacientemente para ouvír as suas queixas.

Ao ouvir alguém simplesmente, dando-lhes a oportunidade de confessarem e reconhecerem os seus próprios erros. Tudo isto sem humilhá-los, ouvindo-os com a dignidade de serem seres-humanos igual a nós, como qualquer um de nós. 

Aliás, tenho presenciado casos que apontam o contrário da caridade nos arraiais pentecostais em que convivo, há líderes de Igrejas e crentes que torcem contra e até tentam atrapalhar tais ações humanitárias.

Bem , não sei se sou pessimista ou se isto é uma realidade passageira da Igreja brasileira! Uma Igreja fraca, que muitas vezes, tive a oportunidade de ouvir com tristeza da boca de sua líderança, de sermos uma Igreja superior as demais, mais sadia até que as dos nossos irmãos do Norte da América.

Me parece que não temos muito o que comemorar na Igreja pentecostal no Brasil em relação às Igrejas dos Estados Unidos da América. Somos tão iguais ou até pióres do que aqueles.

Aliás, será que não somos uma sombra, um reflexo, um espelho de nossos irmãos e Igrejas do Norte da America? De onde vieram os missionários que primeiro colonizaram a fé protestante e pentecostal no Brasil? Não é dos movimentos de Avivamento dos Estados Unidos? Vai ver somos apenas uma extensão de nós mesmos nos Estados Unidos da América!

Que Deus tenha Misericórdia de nós!

Tudo posso naquele que me fortalece (Fp. 4:13).

"Tudo posso naquele que me fortalece", ao contrário da tônica triunfalista empregada por diversos setores evangélicos, representa na verdade uma das maiores expressões de contentamento do Apóstolo Paulo.
Antes de Paulo ancorar esta expressão em sua carta, ele afirma ter aprendido o sofrimento, e tal expressão "posso todas as coisas", significa um contínuo aprendizado que o apóstolo alcançou contido de uma capacidade de suportar o sofrimento, tudo isto pela graça do Senhor Jesus Cristo em sua vida.
Talvez tenhamos que aprender a nos contentar um pouco mais com o que temos no mundo em que vivemos, relendo palavras como estas do apóstolo Paulo.

Alexandre da Silva Chaves

Alexandre da Silva Chaves