quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Reflexão acerca da gratidão aos amigos em relação a defesa dos ideais ético-cristao!




Não poderia começar de modo diferente, então vamos começar assim:

"Bendize a minha alma ao Senhor, e tudo que há em mim bendize ao seu Santo nome" - Sl. 103.1

Meus sinceros agradecimentos aos meus amigos, principalmente àqueles que comigo conviveram de modo o mais próximo possível. Foi um ano incrível, descobri em meio aos momentos mais difíceis de minha vida a profundidade da amizade de muitos, nem todos demonstraram tanta profundidade assim é claro (rsrsrs!!!).



Os momentos de aflições foram demais intenso, mas a minha consolação veio por meio de Cristo Jesus (II Cor. 1:5-7). Dificuldades, dores, temores surgiram, mesmo assim não faltaram razões para as atitudes de zelo e de coragem. Tudo isso me fez voltar as palavras de Paulo: "Mas, se somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos" (II Corintios 1:6).

Nestes últimos dois anos, em especial neste ano de 2011, foram tempos de dedicação à defesa de ideais, de defesa de uma conduta ética dentro das instituições (em meu caso me refiro as igrejas); também de defesa de um ministério objetivo e honesto (conduta ética de nossos líderes de igrejas). Trabalhamos duro nisto, disse no plural, pois não foi sozinho que nasceram as conquistas. Pessoas surgiram como muralhas, jamais imaginei que tantas pessoas pudessem lutar por uma causa que nos leve a tantos "prejuízos pessoais" neste mundo, que quer dizer o martírio, em outras palavras. Queri dizer que quando lutamos pelos princípios de Deus, não teremos muito tempo para as nossas conquistas e vaidades pessoais.

Assim como o apóstolo Paulo, uma vez mais reproduzo suas palavras: "nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus" (II Cor. 2:17).

Alguns realmente tentaram viver em coerência com os ideais de uma vida pragmática e utilitária, de uma conduta fácil, que preservasse os interesses individuais em detrimento dos ideais. O velho teólogo Paul Tillch continua novo e atual, veja se novamente não é o resgate da antiga luta entre a essência e a existência.

Muitas foram as expectativas, nem todas as respostas nos favoreceram; alguns que pensávamos serem amigos, que defendiam os princípios pelos quais lutávamos, na verdade remavam contra eles. Mas não fomos tomados de sobressaltos, pois Deus nos deu graças, para identificarmos os tais e assim honestamente os revelar. Ainda, ancorando minhas idéias no Apóstolo Paulo ouça a sua advertência, ainda no I século da era cristã: Paulo afirmava que alguns se perderam passando rapidamente daquele que os haviam chamado à Graça de Cristo para outro tipo de evangelho (Gl. 1:6).

Observei isso ocorrer por diversas vezes em nosso meio, até mesmo entre aqueles que lideram o rebanho, cada vez mais abandonando princípios rudimentares do evangelho e se embrenhando cada dia mais nas trevas densas do próprio coração.

Líderes que não conseguem mais pautarem suas ações e caminhos num discernimento coerente e equilibrado entre as Escrituras e o Espírito Santo; antes seguem apenas, mais uma vez afirmo com tristeza, aos próprios interesses.

Jesus nos alertou quanto a isso (Mt. 7:16), nos disse que pelos frutos conheceríamos tais pessoas, na verdade, isto quer dizer que por suas ações, comportamentos etc.., e não há desculpa de não conhecermos quem são esses tais falsos profetas, que vivem no meio do próprio rebanho. Não me assusto com esse tipo de comportamento, que denomino de anátema entre cristãos genuínos, somente me assusto de reconhecer tais comportamentos naqueles que menos espero vê-los em tais condições; sejam eles jovens ou velhos obreiros, que, contudo, abriram mão de seus ideais nos quais um dia acreditaram – questões que foram fundamentais às suas vidas e ao crescimento de seus ministérios. Inclusive baseavam tudo antes afirmado nas Escrituras, situações que se tornaram partes de suas trajetórias

Contudo, nessas trajetórias, alguns se corromperam em troca de benesses, "benefícios" que pouco-a-pouco tornaram a Graça custosa que um dia acreditaram (Bonhoeffer), em graça barata, sem valor de vida, e paradoxalmente, em seus comportamentos negam o passado e a interpretação que um dia fizeram das Escrituras.

A Graça que conheço nas Escrituras é a Graça Cara, aquela que custou sangue, custou a vida de alguém. A graça barata não requer um compromisso que seja capaz de perder, mas somente de ganhar nesta vida. É o que faz por exemplo a teologia da prosperidade com a igreja brasileira, tornando-a uma igreja fraca e incapaz de refletir sobre o "sofrer", ou mesmo de aceitar sofrimento. Esta, se torna uma igreja que não consegue produzir uma teodicéia; o crente que sofre, de acordo com esta doutrina da graça barata, tem "encosto ou demônio", ou ainda "não está liberto", ou talvez não esteja “pagando com fidelidade devida” seus dízimos e ofertas a sua igreja!!!

Será?

Na verdade, não foi sem tristeza, mas com amor que empreendi tal esforço, tentando ajudar alguns a não se corromperem com esse tipo de pensamento; pensamento leviano, que infelizmente penetra na igreja como fermento numa massa de ao forno. Valeria à pena, caso fosse propósito e houvesse espaço, uma análise sócio-teológica da modernidade e de como ela afeta as relações entre as pessoas, e invocar para este debate o sociólogo polonês Zigmunt Bauman em sua obra "O amor liquido". Observaríamos, o quanto neste século, nossas relações com o próximo e com Deus se tornaram fluídas, rápidas, passageiras e sem compromisso algum,  sem profundidade. Tais circunstâncias revelam as fragilidades dessas relações que temos tentado construir, ora com Deus - ora com o nosso próximo.

Nisto, jamais poderia deixar de agradecer a minha família, a minha esposa professora Andréia, companheira sempre fiel e a minha filha Andressa, paciente e disposta o tempo todo. São as duas maiores lições vivas o tempo todo, bússolas de minha vida!

A congregação da Assembleia de Deus do Jardim Rosa mereceria uma nota a parte sobre a questão do ser ético, mas não os deixaria de fora dessa nota mais geral, jamais. Foram eles juntamente com a minha família os maiores motivos, de ter continuado a acreditar que as pessoas devem lutar de modo ético, por um ideal e crença fundamentada num Deus transcendente que se manifesta imanente entre nós, por meio de cada irmão e irmã, servos e servas.

Aliás, aprendi com os filhos do Reino de Deus, que o primeiro modo de Deus se manifestar é por meio do pobre, daquele que chora, do manso, do injustiçado desamparado, do próximo misericordioso, dos limpos de coração como crianças, dos pacificadores capazes de dar outra face, dos que sofrem por causa da justiça, dos injuriados e perseguidos pelos princípios de Jesus Cristo.

E, além disto, por ser um tempo de comemoração do nascimento de Jesus Cristo o filho de Deus, o que posso falar desse sentimento de ser condicionado? Pois é isto que nutro dentro de mim todos os dias, tentando compreender como é que o ser incondicionado habita em mim, ser condicionado!

Se Jesus Cristo sendo Deus incondicionado, pode habitar na humanidade, como posso compreendê-lo habitando em mim???

O incondicionado se manifesta em nossa própria cultura. Tenho observado isto nas Artes, na Música, na Educação, na Filosofia, na Teologia, etc.. tenho assistido todos os dias o manifesto comunista de Deus aos homens.

Ele é o Deus que divide a sua essência e existência conosco, nos convidando a fazer o mesmo com o próximo, se revelando por meio da própria cultura. Ele não nos deixa "ser deus", mas nos revela como é "ser Deus". Ele se revela no paradoxo de nossa cultura ao nos confrontar a essência do "EU" com a existência do "OUTRO"; do fraco com o forte, do pobre com o rico, do desonesto com o honesto, do justo com o injusto entre outros exemplos.

À Deus, a família, a Igreja do Jardim Rosas meu muito obrigado pelos momentos intensos; encerro a minha participação na direção da Igreja Assembleia de Deus ministério do belém no Jardim Rosas em Francisco Morato com as mesmas palavras que li quando assumi pastorear aquele rebanho há cerca de dois anos: "Ainda que eu falasse as línguas dos anjos, e não tivesse amor, seria como metal que soa ou como o sino que tine" (I Cor. 13:1)



Alexandre da Silva Chaves

___________________________________________________

BONHOEFFER. Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Sinodal, 2000.
TILLICH, Paul. Amor, poder e justiça. São Paulo: Novo Século, 2004.
BAUMAN, Zigmunt. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

Tudo posso naquele que me fortalece (Fp. 4:13).

"Tudo posso naquele que me fortalece", ao contrário da tônica triunfalista empregada por diversos setores evangélicos, representa na verdade uma das maiores expressões de contentamento do Apóstolo Paulo.
Antes de Paulo ancorar esta expressão em sua carta, ele afirma ter aprendido o sofrimento, e tal expressão "posso todas as coisas", significa um contínuo aprendizado que o apóstolo alcançou contido de uma capacidade de suportar o sofrimento, tudo isto pela graça do Senhor Jesus Cristo em sua vida.
Talvez tenhamos que aprender a nos contentar um pouco mais com o que temos no mundo em que vivemos, relendo palavras como estas do apóstolo Paulo.

Alexandre da Silva Chaves

Alexandre da Silva Chaves