domingo, 21 de abril de 2013

Páscoa um paradoxo sobre a vida e a morte: exortação ao Projeto OReino


No mês de Março estivemos louvando a Deus e agradecendo pela vida do irmão Jefferson, a quem carinhosamente chamamos de Jeh. 

Neste evento pudemos compartilhar da mensagem da palavra de Deus.


Fui convidado pela direção do projeto Reino para ministrar uma mensagem ao grupo acerca da páscoa. Era um momento de perseguição para o projeto, algumas pessoas estavam confundindo o nosso objetivo e do projeto, com o de fundar uma igreja ou coisa assim.

A mensagem foi providencial, pois tal como Faraó no Egito o povo de Israel e Moisés o líder escolhido por Deus para tirá-los de lá, também não estavam sendo compreendidos.

Algumas pessoas ficam feridas quando são atormentadas pelas lutas, quando são caluniadas, difamadas, vítimas de perseguição ou de ameaças, quando seus raciocínios percebem que a morte os cerca, por causa de certo nível de angústia que os toma. 

Meditemos então no caso de Moisés, ameaçado e perseguido constantemente, sua alma sabia que as muitas armas e toda força do "deus" Faraó estavam apontadas contra a sua vida, podendo a exterminar em instantes. A única arma que Moisés  possuía era a confiança de que o seu Deus (YaHWeH // Eu Sou) reservaria a ele um futuro melhor, sem contudo enxergar condições de livramento em suas próprias mãos, o que restava-lhe então era a dura perspectiva de perseguição de Faraó e a morte certa no caminho que percorreria em direção ao deserto.

Seguindo a lógica da exposição bíblica acerca da pascoa Israelita, observamos o que nos diz a palavra de Deus no livro de Êxodo capítulo 12: e vv 1-13;  e para pensarmos a lógica da páscoa cristã, observemos a carta aos Hebreus capítulo 9. versículos 23 e sua sequencia. 

O Senhor nos falou poderosamente, pois aprendemos que depois daquele momento a páscoa teve de ser lembrada com sangue de animais, ano após ano, até que surgisse um sacrifício perfeito, conforme Hebreus 9 e versículos 23-26. 

Os animais imperfeitos, eram oferecidos para que o sangue de suas vidas lembrassem ao Anjo da morte o pacto que o criador havia feito com o seu povo, e este não os matasse, e então este sangue passava a indicar esta graça do pacto com a vida do Criador,  fazendo assim com que o anjo não os matasse. 

Contudo por causa da imperfeição dos animais, ano após ano estes sacrifícios eram novamente repetidos, como memorial a Deus por expiação dos pecados, a fim de que Deus não os destruísse todos os anos por causa de seus pecados. 

O escritor da Carta aos Hebreus nos escreve dizendo que isto deixou  de ser necessário, pois àqueles sacrifícios oferecidos no passado foram as sombras e figuras imperfeitas do verdadeiro que se manifestaria, sem defeito algum, e diferente dos animais que morriam ano após ano, este perfeito seria entregue a morte por nossos pecados uma única vez, satisfazendo eternamente a justiça de Deus e nos trazendo comunhão com o nosso criador, o Deus todos poderoso. 

Jesus Cristo cumpriu este requisito de perfeição, como Deus se encarnou, tomou forma humana, por ser perfeito e ter permanecido perfeito em vida, entregou-se a missão de morrer por suas criaturas imperfeitas, satisfazendo a exigência de um sacrifício perfeito de uma única e efetiva vez. Com isto, todos aqueles que o encontrarem, os seus que ele não rejeita, conforme o evangelista João capítulo 10, podem encontrar segurança e salvação em sua proteção.

Deste modo as aflições deste mundo, as lutas, os problemas se tornam coisas menores, diante da passibilidade de vivermos a eternidade com ele. Devemos preferir a morte, se isto for necessário, a fim de  desfrutarmos a eternidade com nosso Senhor Jesus Cristo.

Observemos a mensagem do sacerdote Henri Nouwen, que mesmo tendo sido um talento  e vocação para universidade, tendo tido oportunidade de seguir carreira lecionando em Harvard uma das maiores instituições de ensino dos Estados Unidos, além de ter sido um grande sacerdote para sua igreja e comunidade, resolveu abandonar tudo o que fazia a fim de servir a um grupo de crianças deficientes em uma associação chamada "Arca", que cuidava destas crianças. 

Nouwen entendeu o significado da morte e conseguiu morrer em paz entregando sua vida por esta causa.

Devemos aceitar a exortação de Deus e orarmos, aceitando a sua condição de nos provar, mesmo com perseguição, lutas dificuldades e até mesmo com a morte. 

A final de contas, a morte selará o pacto de regressarmos a casa de nosso Pai, a eternidade, ao lado de nosso Deus!!

Muitos crentes buscam a riqueza como sinônimo de perfeição, de resultados de espiritualidade, mas o maior resultado de perfeição e de vida perfeita com Deus é a de um crente reconhecer e aceitar o caminho do martírio (morte por uma causa justa), como resultado da possibilidade de nos encontrarmos com Deus.

Vivamos com intensidade o Evangelho, e assim como Henri Nouwen encontrou paz na morte, não temamos a morte, pois se buscarmos vivermos a vida apenas aqui, querendo desfrutar alegria e felicidade como se aqui fosse a eternidade seremos infelizes, perderemos a oportunidade de enfrentarmos a morte e retornarmos a casa do Pai para usufruirmos a vida na eternidade. 

Sem contar que se não encararmos a realidade da morte jamais deixaremos um legado àquelas pessoas que aqui conosco viveram (filhos, amigos e familiares); deixemos a estas pessoas inspiração para enfrentar a vida em direção a morte, com objetivo de viver eternamente nos braços do Pai.

"A maneira pela qual morremos não só tem muito a ver com a maneira com que nós vivemos, mas também com a  maneira pela qual os que vêm depois de nós viverão" (NOUWEN apud BITUN, 2009, p. 305).

Deus abençoe ao projeto OReino que está aprendendo e crescendo com as lutas e perseguições, Deus abençoe cada cristão que contribui com o projeto, e oro principalmente para que Deus nos abençoe para que tenhamos fé de entregarmos a nossa vida a morte, todos os dias por esta causa, pois ele fez isto uma vez, nos dando oportunidade de vivermos com ele para toda a eternidade.

Que tenhamos então coragem de entregarmos a nossa vida neste curto período que temos de existência terrena, para que as pessoas viciadas no craque, na cocaína, na maconha, na sujeira e imundícia das ruas da capital paulista, consigam se erguer, mesmo que isto custe a vida de cada um de nós.

Amém!

Que Deus abençoe a todos!

Pr. Alexandre da Silva Chaves

Tudo posso naquele que me fortalece (Fp. 4:13).

"Tudo posso naquele que me fortalece", ao contrário da tônica triunfalista empregada por diversos setores evangélicos, representa na verdade uma das maiores expressões de contentamento do Apóstolo Paulo.
Antes de Paulo ancorar esta expressão em sua carta, ele afirma ter aprendido o sofrimento, e tal expressão "posso todas as coisas", significa um contínuo aprendizado que o apóstolo alcançou contido de uma capacidade de suportar o sofrimento, tudo isto pela graça do Senhor Jesus Cristo em sua vida.
Talvez tenhamos que aprender a nos contentar um pouco mais com o que temos no mundo em que vivemos, relendo palavras como estas do apóstolo Paulo.

Alexandre da Silva Chaves

Alexandre da Silva Chaves